As coisas que queremos dizer, parecem ser esquecidas,
Pela maré são-nos roubadas e, nela esquecidas,
Caímos do abismo, sem mesmo termos intenção,
Será que nos levantamos, uma vez chegando ao chão?
A vida é um senão, um jogo hipotético…
Vivemos na condição, obedientes ao senhor ético.
Senhor Ético… quem é, então?
Obedecemo-lo, porque senão…
E que senão, que sabemos de nós então?
Se corrompamos nossos pensamentos em vão?
Que sabemos nós de nós, se perdemos nossa voz?
Ao gritarmos na falésia perdemo-la (a voz) no ar
Que eco temos nós de nós? senão aquando encurralados num beco?
E só aí nos ouvimos, fechados num cerco.
E então para quê a liberdade? Se com ela não me conheço?
Se sou incendiada e me espalho como um incenso
Sou fragmentada pelo espaço e não sei quem sou.
Perco-me em mim e procuro-me onde não estou.
Peço ao mar as palavras que me roubou,
Ao ar a fala que calou e ao senhor ético a expressão que censurou.
E nada regressou, pois, as palavras o mar afundou,
A fala, o vento levou e a expressão o senhor ético desestimulou.
Nada voltou e eu precisava que tudo regressasse
Pois era como se algo em mim faltasse
Por que não guardaram eles meu segredos mais profundos?
Por que se dissimulou tudo em tão meros segundos?
No meu interior ficou um vazio plantoroso
Que se tornou gelo e é deveras desgostoso…
Gastei as palavras para quem não as merecia ouvir
Para alguém que de quando delas precisasse não me as poderia retribuir
Oferecia-as, a quem jamais, pertencer, poderiam
Por que não ouvi o que elas me diziam?
Eram a ti, a quem elas queriam pertencer…
Mas, orgulhosamente, julguei, que não as devias merecer
Não te quis dizer, o que devia ter dito, e agora é tarde.
Só tenho em mim gelo e não é por mim que teu fogo arde.
10/08/2006
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