Este final não é para a nossa história

A vida continuou. Finalmente senti que te tinha vencido. Acreditei que não eras mais o dirigente da minha vida. Mudei e cresci. Senti-me livre. Depois das lágrimas encontrei novo sorriso. Abandonei-te naquele leito onde se deu o acidente que te tirou de cena e não olhei mais para trás, aceitei a mão de quem veio socorrer-me. Perdi-me nessa pessoa e quando olhei para trás, estava tudo escuro. Desapareceste, não te vi mais. Guardei a última imagem na minha memória e decidi não olhar novamente para trás. Sorri para quem me estendeu a mão. Era ali que se encontrava a luz, continuámos de mãos dadas e encantei-me com o mundo novo que tinha à minha frente.
Oh! Era tudo novo e surpreendente e tão, tão sedutor! Sentia-me seduzida a cada minuto que se passava e oh! Que estranha sensação! Não desaparecia, poder-me-ia eu sentir sempre assim? Amei o novo recomeço, senti-me feliz. A vida teria seguido.
Andava distraída, não passavas mais do que uma mera recordação, lembrava-me de ti e do último momento e oh! Não podia voltar atrás. Tinha muito para ver, muito para sentir, muito para experimentar. Tinha uma vida nova, uma nova paixão e quiçá uma nova oportunidade de amar.
Não fazia sentido prender-me aquele lugar onde te deixara, não fazia sentido sequer colocar em hipótese. No entanto, perguntava-me o que pensarias tu, da minha nova vida.
Não te queria contar, mas também não te queria ocultar. Havia uma parte que queria que soubesses que finalmente não mandavas, nem comandavas a minha vida. Outra preferia manter-se assim.
O tempo foi passando e sentia-me preenchida. Senti que sim, era o tal. Não queria mais procurar, não queria mais ninguém, incluindo-te a ti.
Foi aí meu caro. Foi aí que regressaste. Foi no momento da morte que senti um vazio. Era ele quem eu queria, mas e nós? Senti falta do que não vivemos e principalmente, que a nossa história estava inacabada.
Percebi que o nosso tempo foi finito, que muito ficou por viver e muito por dizer. E quanto mais vivia, mas pena sentia de não ter partilhado contigo tudo o que eu queria. De não ter vivido todos os momentos que ansiei e principalmente, de não ter tido tempo e a oportunidade de me ter fartado de ti.
No final e depois de teres me tornado que sou hoje, percebo que nem sequer te conheci, nem nunca vou conhecer. Como alguém tão estranho pode ter tido tanto peso na minha vida?
Como alguém que sem mesmo existir acabou por estar tão presente em mim?
E agora? Serás sempre uma incógnita. A vida continuou, eu continuei e tu também. Quem diria que seria assim? Quem diria que da mesma forma que nos cruzamos nos iriamos separar?
Quem diria que o final seria tão suave, discreto e simples? Quem diria que no meio daquela escuridão alguém te salvou? E quem diria que jamais sentirias a minha falta? E o que é tarde é apenas preencher o passado e não amar ou re-amar?
Não era esta o final que pretendia, se é que alguma vez, pensei num fim…

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