Em tempos, seria no cinema… Talvez em algum jardim, ou secalhar, em algum lugar com vista para o mar… Em tempos seria romântico, o nosso primeiro encontro (porque o primeiro foi ocasional). Em tempos, quereriamos fazer como nos filmes, ver o por do sol, falar ao luar, conversar no jardim, ou mesmo fazer um piquenique… Em tempos, teriamos pedido ajuda à natureza, para existir magia, trariamos connosco, aquela timidez, que tão bem fica, nos casais apaixonados… Em tempos, procurariamos um momento especial, para darmos as mãos, depois, trocariamos olhares e sorrisos, denotando o nosso embaraço e esperariamos o silêncio para dar o nosso primeiro beijo, doce, timido, inocente e apaixonado. Isto seriam em tempos o nosso primeiro encontro. Continuariamos sem conversa, de mãos dadas, não incomodados com o silencio, timidos e a sorrir, tu cavalheiro, eu como doce, frágil, donzela e ambos, felizes, a pensar no nosso primeiro beijo. Trocavamos palavras, riamos e sentiamos paixão. Ia para casa, esperava pelo próximo dia, escrevia a tarde, o por do sol, a magia que senti, no meu diário e tu escrevias-me um poema. Encontravamo-nos no dia a seguir, trazias-me uma flor, sentia-me feliz e amada por ti. Abraçavamo-nos e a tarde, noite, passavam a correr… Mas isto seriam em tempos. Sim, seria assim, o nosso primeiro encontro, romântico e com magia. Mas agora são novos tempos e nos tempos que correm já não é assim…
Combinámos o nosso encontro. Onde? Depois de trocarmos os emails, combinámos as 22h no messenger. Para quê? Para nos conhecermos melhor… Falámos (demais até)… No dia a seguir quando te vi, não me reconheci em ti. Sabia tudo de ti, ao mesmo tempo, perguntava, quem és tu? Embora tivesses a falar, eu não te ouvia… Olhava simplesmente para ti, sem perceber, quem eras e o que fazia eu ali contigo. Beijamo-nos e não senti nada, nem magia, nem paixão. Era um beijo oco.
-Encontramo-nos amanhã?- perguntaste.
- Hmm, não sei… Depois falamos na net…- Respondi.
- Ok, então, tás lá a que horas?
- Hmmm, depois do jantar em principio…
- Ok, então, passo lá…
- Fixe, até logo.
Depois do jantar, liguei-me a internet. Estavas lá tu… Falaste comigo, como se me conhecesses, há muito tempo. Na verdade, não me conhecias. Sabias onde vivia, o que fazia e conhecias minimamente os meus gostos e interesses. Falaste da tarde, mas eu não prolonguei muito a conversa… Continuamos a falar e reparaste, que o meu entusiasmo, não era o mesmo que outrora. Mudei de assunto, enviei-te uma música. Ficaste contente, abri outra janela e comecei a falar com uma amiga. Aos poucos a conversa contigo, acabou por morrer… Não chegamos a combinar nada… Enviaste mensagem, não respondi, mais tarde, no outro dia, na net, disse, não ter dinheiro no movel. Menti… Falaste.
- Então, quando podes estar comigo?- perguntaste.
- hmmm, não sei… Deixa cá ver- respondi.
-Amanhã?
- Pois, não me dá muito jeito… Já tenho coisas para fazer- menti, uma vez mais.
- Então quando?
- Vamos falando, logo vemos… Não há problema, estamos sempre em contacto…
- Pois…
E menti, uma vez mais. Não estávamos sempre em contacto, nada nos unia, só a linha on-line. Não existia amor, nem paixão. Aos poucos, fomos deixando de falar… Hoje vejo-te on-line e já nem falo contigo… E aquele beijo, aquela tarde, é como se nunca tivessem existido…